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  • A GREVE E A EDUCAÇÃO

    Neste artigo publicado também no Jornal Folha do Estado - edição de hoje - o professor aposentado da rede estadual, Leonel Filho, comenta a greve na educação e aponta caminhos para que estado e educadores saiam desse conflito. Além de educador, Leonel é economista e advogado.


    06/06/2012 às 09:36h
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    É bem provável que nossas autoridades tenham planos de melhorar a educação na Bahia. Mas, me parece que tal sonho diz respeito ao próprio fisiologismo humano e cada vez mais distante do interesse coletivo.

    Na década de 60 e até o final dos anos 70, a Escola Pública tinha vocação de acolher em seus quadros uma clientela urbana, formada, principalmente, por jovens de todos os matizes e as vagas eram disputadíssimas por todos, tanto que para ingressar no antigo Ginásio (atual ensino fundamental) era exigido um “Exame de Admissão ao Ginásio. Saliente-se que não se tratava de um exame qualquer, era, acima de tudo, uma cobrança de conhecimentos, comparado com o vestibular das grandes universidades públicas do país dos dias atuais, ou seja, uma verdadeira barreira para ingressar, vez que o acesso ao Ensino Médio estaria garantido com a conclusão do Ginásio.

    Na verdade, os profissionais da educação de hoje são bem mais qualificados do que os da década de 60 e 70, isto não resta dúvidas, pois, é comum se verificar tais dados: hoje, noventa por cento dos professores contam com Licenciatura, pós-graduação, mestrado, ou doutorado. Registre-se, entretanto, que a grande diferença reside justamente em um dado que é diferente das décadas passadas: a clientela é composta de alunos desinteressados, desestimulados, sem conhecimentos basilares, sem estrutura familiar, sejam eles pertencentes à zona urbana ou rural. Talvez o fato contribua de forma preponderante para apontar uma causa para o baixo rendimento dos nossos alunos nos dias atuais, comparados com os de outras épocas.

    O problema precisa ser mais bem debatido pelas entidades de classes, governo, docentes e discentes, buscando aprofundar os estudos no sentido de resgatar o verdadeiro caminho para salvar a educação na Bahia, que o descrédito do ensino público, municipal ou estadual, é latente. Não conheço nenhum Deputado ou Vereador deste Estado, que tenha coragem de colocar seus filhos na escola pública, isto também vale para os próprios professores, que também não se arriscam em matricular seus filhos nestas instituições de ensino, pois, eles próprios são sabedores das reais deficiências que elas externam, endossando as desconfianças e a incertezas do aprendizado.

    Deste modo, deve-se aproveitar o momento e criar um Fórum de debates permanentes sobre o futuro da educação na Bahia, senão estaremos condenados a permanecer com altos índices de violência urbana e rural, prostituição adulta e infantil, além da violência doméstica. É necessário resgatar a autoestima daqueles que vivem e fazem a educação, como também devolver aos alunos a confiança no Estado, na família e principalmente no valor pessoal que cada ser humano representa para o mundo e para si mesmo. Outro caminho, diferente deste, não é possível ser trilhado na busca da justiça social.



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