Em cima da hora:
GM investe US$ 500 milhões em rival do Uber
-
  • Facebook
  • Twitter
  • Orkut
  • Feeds
  • A REFORMA RELIGIOSA DO SÉCULO XVI: Da Alemanha a Feira de Santana


    31/10/2014 às 08:01h
    Recomendar

     

     

    Por Lélia Fernandes (*)

    O marco histórico da Reforma Religiosa do Século XVI aconteceu no dia 31 de outubro de 1517, na Alemanha, quando o monge agostiniano, Martinho Lutero, afixou suas 95 teses à porta da Igreja de Wittemberg, na Saxônia, que combatiamo comércio das indulgências, (perdão de pecados), apregoadas pelo frade dominicano, João Tetzel. O movimento espalhou-se por outros países da Europa e seus adeptos tomaram o nome de “protestantes”, porque se opuseram ao decreto papal, que proibia a leitura da Bíblia na língua dopovo.

     No Brasil, os primeiros protestantes a pisarem no seu solo foram os franceses calvinistas ou huguenotes, que pretendiam fundar a colônia da “França Antártida”, no Rio de Janeiro, em 1555, mas não lograram êxito.
    Depois foi a vez dos holandeses, também huguenotes, ocupando Salvador, em 1624, com a pretensão de criar uma colônia de “Nova Holanda”. Expulsos dessa região promoveram uma ocupação mais duradoura em Olinda e Recife, sob o comando do almirante João Maurício de Nassau Siegen, designado governador-geral do Brasil-Holanda, em 1630 a 1654.
    Os anglicanos fundaram sua igreja, em Salvador, em 1815, mas os cultos eram destinados aos imigrantes ingleses, que residiam na cidade. Em 1872, foi fundada a Igreja Presbiteriana da Bahia.
    Com a chegada do casal de missionários, Dr. Robert ReidKalley, médico escocês e D. Sara PoultonKalley, que desembarcaram no Rio de Janeiro,no dia 10 de maio de 1855, vindos de Funchal, na Ilha da Madeira, colônia de Portugal, se instalaram em Petrópolis, que oficialmente, três anos depois, Dr. Kalley fundou a Igreja Evangélica Congregacional Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro, existente até hoje, situada na Rua Camerino.
    Em 1859, em São Paulo, foi criada a Igreja Presbiteriana, pelo Missionário Ashbel Green Simontom, de Pine Street, nos Estados Unidos. Posteriormente vieram as outras denominações. 
    Em outubro de 1882, foi fundada a Primeira Igreja Batista na Bahia,com cinco membros, no bairro do Canela.Os fundadores foram os casais estadunidenses William e Anne Bagby, e Zachary e Katarin Taylor. O pastor alagoano Antônio Teixeira de Albuquerque, ex-padre católico, também acompanhava os missionários e redigiu a ata de fundação desta Igreja.
    Em Feira de Santana, consta nos registros do movimento presbiteriano, que o Missionário George Whitehill Chamberlain, natural de Pensilvânia, Estados Unidos, em 1896, fixou residência em Feira de Santana, mas teve estadia efêmera, pois dois dos seus filhos foram acometidos de febre amarela, chegando a óbito (1899). No seu sepultamento houve grande polêmica da Igreja Católica para não enterrá-los no Cemitério Piedade, o único existente na época, pois na condição de “protestantes” iriam profanar o “santo solo”. Por imposição do clero localfoi reservado um espaço isolado e cercado, no fundo do cemitério, que ficou conhecido como o “cemitério dos crentes”. Com isto, o Missionário retornou a Salvador, onde pouco tempo depois faleceu, mas não chegou a fundar um trabalho evangélico em Feira de Santana.
    Em 1935, o casal de missionários, Roderick MurdoGillanders e Isobel Florence Gillanders, aportou em Feira de Santana, para passar alua-de-mel, vindo de Recife, onde se casaram. Os dois de origem neozelandesa, deixaram seus familiares, sua terra, seu povo para viver entre nós, trazendo a semente do Evangelho para ser semeadanos corações e almas dos nossos conterrâneos. Em aqui chegando, alugaram uma casa na Rua Araújo Pinho, no bairro dos Olhos d´Água, onde instalou os primeiros cultos evangélicos. Alguns anos depois, fundaram a Igreja Evangélica Unida, no dia 07 de setembro de 1950, na Rua Barão do Rio Branco, sendo, portanto, o pioneiro na obra evangélica em Feira de Santana.
    Muitos foram os obstáculos experimentados por esses denodados missionários, na implantação do trabalho evangélico em Feira de Santanae nas cidades circunvizinhas, tais como: discriminação religiosa, racial, intolerância do clero, perseguição da comunidade, mas nada disso arrefeceu o ânimo e a firmeza espiritual do jovem casal. Enfrentou tudo confiando na misericórdia e proteção de Deus.
    Aqui nasceu seu único filho, KennethDonald Gillanders, que exerceu a função de piloto, em Nova Zelândia.
    Pr. Roderick prestou relevantes serviços à sociedade feirense, principalmente, proporcionando curso da língua inglesa a pessoas que desejavam aprender esse idioma.
    Depois de 20 anos de convivência aqui em Feira de Santana, o Pr. Roderick Gillanders entregou o pastorado a um pastor brasileiro e retornou para sua terra natal, certo de ter cumprido a missão que Deus lhe confiou de semear a Palavra de Deus e colher os frutos da messe divina, dosquais hoje os crentes feirenses, seus remanescentes, são ricamente beneficiados.
    Em homenagem a esse grande servo de Deus a Câmara Municipal de Feira de Santana criou a Medalha Roderick Gillanders, para prestigiar pastores e missionários que tem prestado serviços à comunidade evangélica. AAcademia de Letras e Artes de Feira de Santana denominou a Cadeira nº 23,hoje ocupada pelo Professor e Pastor Carlos Magno Vitor da Silva.
    Devemos ao casal Gillandersa bênção da implantação do Evangelho nesta cidade. Somos os seus continuadores, a fim de legarmos às gerações futuras a fidelidade e o amor à Causa do Reino de Deus aqui na terra.

    (*) Membro da Igreja Evangélica Fundamentalistae Presidente da Academia de Letras e Artes de Feira de Santana



Os comentários e textos não representam a opinião do portal; a responsabilidade pelo blog é do autor da mensagem.
Folha do Estado da Bahia
Desenvolvido por Tacitus Tecnologia