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  • Base do Futebol e Educação de Base


    17/09/2012 às 05:57h
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    Por Renilton Silva *

    A construção de um edifício inicia-se pelo alicerce. Qualquer indivíduo, ainda que sem conhecimento de engenharia ou arquitetura, mesmo que não seja mestre de obras ou  pedreiro, sabe que o edifício seguro passa por um alicerce profundo e bem estruturado.

    Jesus, mestre por excelência disse que o homem que ouve as palavras dEle e as pratica é semelhante a um homem que cavou profundo alicerce sobre a rocha e, vindo a enchente, arrojou-se o rio contra aquela casa e não foi abalada, por ter sido bem construída.

    A questão da base ou do alicerce serve para fazermos uma relação com duas áreas muito conhecidas de nós: FUTEBOL e EDUCAÇÃO. Algumas vezes, caminham juntos, parece até que se faz uma escolha: ou se é bom aluno ou bom jogadorde futebol e, inclusive nas políticas públicas muitas Secretarias de Estados ou Municípios relacionam-se diretamente: Educação, Esportefutebol, Cultura e Lazer. Os resultados, infelizmente negam nosso fantástico talento e potencial nessas duas áreas, aqui, de modo bem superficial atribuído especificamente à questão das falhas na base, no alicerce. Devíamos ganhar todas as competições de futebol, pelo talento nato e a forma como se inculca nas crinaças a fome e sede pelo jogo de bola, também, nossos resultados educacionais deveriam ser bem melhores, pois ampliou-se a carga horária, investiu-se muito dinheiro, universalizou-se o acesso, merenda escolar, transporte para educandos, coisas impensáveis há 40 ou 50 anos, mas erramos terrivelmente na questão do alicerce a famosa base, na direção dos investimentos e principalmente na valorização dos profissionais.

    Tive o privilégio de observar, ainda que superficialmente a experiência de renovação das divisões de um clube de futebol. Observei peneiras, sonhos, talentos e o lento processo de lapidação de atletas no futebol, inclusive da formação do caráter, da competitividade e todos os ingredientes para se fazer um alicerce seguro.

    Apenas o tempo dirá quais os resultados para o clube. Porém, o compromisso dos envolvidos, as disputas naturais dos atletas, os sonhos dos adolescentes e de suas famílias que investem tudo fazem com que muitos José, João, Marcos, Manoel deixem lugares longínquos, Brumado, Piritiba, Miguel Calmon, Mairi, Caetité e tantas outras cidades da Bahia e fora do Estado para investirem sonhos em Feira de Santana.

    A base definirá o futuro do Clube em médio e longo prazo. Se for boa, os resultados virão, não no imediatismo, mas na segurança de bons e duradouros tempos. No caso da educação é notório como se inverte completamente a ordem. Os maiores investimentos na casa, parecem começar pelo telhado e não na estrutura, na base, no alicerce. As políticas públicas mais valorizadas e mais divulgadas são as relacionadas à Universidade. No Brasil, investe-se de forma invertida. Os melhores salários são para professores das Universidades. A base sofre. É algo tão grosseiro que, se um professor faz um bom trabalho na Creche, a ideia é que seja “promovido” para o Ensino Fundamental, depois o Ensino Médio.

    Base do Futebol e Educação Básica, tudo isso tem a ver com alicerce. Consertar alicerce deve ser complicado, mas acredito que sempre tenha jeito, porém quanto mais cedo acordarmos, melhor.

     * Professor da rede pública e particular de Feira de Santana.



    Comentários


    17/09/2012 as 23h31m
    Josicley Nascimento escreveu:
    Belo texto professor Renilton, no Brasil precisamos de uma gestão por processo com pessoas qualificadas em sua área, para que tenhamos resultados a curto, médio e longo prazo, um grande exemplo dessa educação a qual temos sem um planejamento e a pobreza da nossa mpb, ja não temos mais festivais onde se forma Chico, para ver a bandar passar, Gil, para ver esse mundo tão desigual, elis, para ver as aguas de março com o maestro Jobim, e Caetano, pois esse papo, ja ta quelquer coisa.
    17/09/2012 as 23h48m
    Ramilis Nascimento escreveu:
    que belo texto, quem dera nossos lideres pensassem assim, quando aprendermos que formar atletas, pessoas capacitadas de serem alem de ótimos jogadores, ótimos cidadãos. e não apenas formamos jogadores, que sã bom com os pés e ruim com a cabeça, não faremos mudanças significativas, é uma questão bem ampla, e não há espaço para o debate, nem a preocupação, pois, não importar se ele não sabe ler direito ou não sabe o nome da capital do nosso país, se ele for bom de bola já é o bastante ...
    17/09/2012 as 23h51m
    Charles Marques de Andrade escreveu:
    Pertinente seu texto Renilton, traz a "luz" a um problema histórico na Educação. Eu que vivi a realidade do Futebol e hoje faço parte do universo educacional do Brasil. Aqui em Miguel Calmon, algo já está sendo feito pra amenizar essa disparidade nos níveis da Educação: equiparação salarial e inclusão da Educação Física nas séries iniciais e maior integração dos professores em todos os ensinos. Mas ainda é um caminho árduo a percorrer, é toda uma história de descaso com nossas crianças.
    17/09/2012 as 23h59m
    Andrea Sonara escreveu:
    Uma boa reflexão. Uma digna comparação. Duas verdades. Um bom momento para que se possa pensar a Educação de uma forma mais ampla e coerente.
    18/09/2012 as 10h00m
    Danni Brandão escreveu:
    otimo texto professor reniltom gostei muito precidamos de professor qualificados para ensinar nos alunos falou muito beem!
    04/03/2013 as 09h58m
    Guivelber Lago escreveu:
    Defendeu muito bem sua tese e explorou bastante seus argumentos. Provou que tem qualidade e merece, além de elogios, um salário digno. Não estou falando apenas você e sim essa classe 'esquecida' pelos governantes, a qual tanto admiro, que é a dos professores. Ressalto também a realidade do futebol de base no nosso país, que infelizmente preocupa, uma vez que nós jogadores do futebol de base, somos induzidos a deixar o colégio em segundo plano, a fim de, quem sabe, poder chegar ao profissional.
    04/03/2013 as 10h26m
    Guivelber Lago escreveu:
    Parabéns PROFESSOR!
    18/10/2013 as 17h30m
    Leandro escreveu:
    Bom texto professor, Devemos acordar e evoluir nesse processo de "manifestações tendenciosas", pois mais uma vez as situações se invertem. Manifestam-se de forma equivocada, assuntos não tão importantes quanto uma reforma na educação de nosso país. "Vamos gente!". Vamos (R) evoluir. Professor! Dificilmente um alicerce poderá ser concertado, com excelência, sem que "a casa" venha a ruir. A mudança deve ser originária, impactante, modificativa, reestruturada. Não amenizada.
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