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  • Buraco do Joaquim, nos Olhos D’águas das Moças: a estratégia para fugir dos castigos da escravidão em Feira de Santana


    03/11/2017 às 12:01h
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    Com o tema “Fazendo Memória e Re-conhecendo a/s história/s do nosso lugar”, estudantes e professores da Escola Municipal Crispiniano Ferreira da Silva, localizada na comunidade Olhos D’Água das Moças, a 2km da Matinha, região reconhecida como remanescente quilombola, realizaram pesquisa sobre a importância do Buraco do Joaquim como rota de fuga utilizada por negros para se livrarem do castigo da escravidão em Feira de Santana.

    A “descoberta” da existência de um lugar cujas características reportou estudantes e professores aos tempos da escravidão os estimulou a saber mais sobre o mesmo e a selecioná-lo como espaço a ser visibilizado dentro da proposta do Projeto “Feira Que Te Quero Ver”, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação, que este ano priorizou o patrimônio histórico-cultural local para valorizar o universo onde a escola está inserida.

    A visita ao “Buraco do Joaquim” contou com o apoio do Ten. Cel. José Alberto Silva Junior, comandante do 2° GMB e do Secretário de Meio ambiente Sergio Carneiro. O Suporte dado pelo Corpo de Bombeiros e pela Secretaria de Meio Ambiente tornou possível adentrar no interior do buraco e passar pela experiência sensorial que fez pensar nas diferentes possibilidades dos sujeitos que por ali passaram em tempos distantes. 

    No interior do referido buraco existem passagens que dão acesso a outros lugares, porém, por recomendação do corpo de bombeiros, para garantir a segurança dos estudantes, dos professores, estagiários e curiosos das proximidades que também resolveram entrar para conhecer o ambiente quase lendário, a visita ficou limitada a um espaço mais restrito e próximo à entrada.

    Com o suporte dos referidos órgãos, que com lanternas especiais iluminaram o local ajudando inclusive a afastar os morcegos, os atuais moradores do espaço, e contribuíram para que professores e estudantes dialogassem um pouco no local sobre as possíveis dificuldades enfrentadas por quem, em fuga, queria livrar-se dos castigos da escravidão e conquistar a tão sonhada liberdade passando por aquele lugar. 

    Apresentação na escola 

    As experiências e descobertas vivenciadas no Buraco do Joaquim foram socializadas na própria escola com a apresentação do projeto. As atividades contaram com apoio da Gestora, profa. Irlete Fontes, da Coordenadora profa. Adriana Peixinho e dos professores Edivan Maia Railda Neves.

    Já a mesa de honra foi composta por estudantes do 8º e 9º ano, tanto no matutino quanto no Vespertino. Isto para evidenciar a importância do protagonismo dos educandos enquanto sujeitos e autores da história. “Além de nos ajudar a saber quem somos, conhecer melhor o nosso passado, nos faz ter orgulho de nós mesmo e de nossa origem”, afirmou a estudante Núbia. “O projeto nos ajudou a conhecer histórias de nosso passado que estavam esquecidas”, completou.

    O silêncio que marcou a leitura do texto poético produzido pelos discentes foi entendido como resultado de uma aprendizagem significativa cujo alcance transcende o momento presente. Tendo priorizado a realidade local, a visibilização de lugares e sujeitos do cotidiano valorizou ou contribuiu para despertar o sentimento de pertença nas pessoas da localidade e não apenas dos estudantes. 

    Em meio a educadores emocionados e estudantes felizes com o resultado do trabalho, a escola aproveitou o ensejo para ratificar a importância da história oral para o nosso aprendizado e reafirmá-la como herança africana. 

    O projeto concorre na categoria vídeo do Feira que te quero Ver. A cerimônia de premiação dos trabalhos mais votados está prevista para a primeira quinzena deste mês. 



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