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  • De unidade de ensino a abrigo de marginais: o colapso do colégio Carlos Valadares em Bonfim de Feira

    Reportagem: Danilo Guerra / Fotos: Enviadas por leitores-internautas


    03/11/2017 às 09:36h
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    Inaugurada na década de 40, período em que o mundo enfrentou os ardis da segunda guerra mundial, o Colégio Estadual Dr. Carlos Valadares, primeira escola pública do distrito de Bonfim de Feira, está em estado de completa ruína. Extinto em 29 de novembro do ano passado pelo Governo do Estado da Bahia, o prédio, que antes servia como espaço de formação educacional e descoberta de vocações profissionais, virou abrigo de marginais, usuários de drogas e moradores de rua.

    Quem olha para o colégio do meio hoje (o prédio é ladeado por duas outras escolas: Cupertino Lacerda e Álvaro Boaventura, esta recém-reformada pelo administração municipal, mas aquela também condenada a ruir) e contempla o estado deplorável em que ela se encontra, sente nostalgia de um tempo que a escola era viva e possibilitadora da realização de sonhos.

    Destruíram o encanto

    A paisagem já não encanta mais. Vidros quebrados, dejetos fecais por todos os lados e um odor horrendo dão sinais de que o comando agora é de “pivetes”, que vagam pelo espaço tomado pelo matagal para se drogarem além de, segundo relato de moradores, cometerem atos libidinosos. 

    Um funcionário do Cupertino, que não quis ser identificado, informou que têm vândalos q jogam pedras no telhado das salas durante a aula e que já viu eles fumando drogas dentro do prédio público. “Faz 15 dias que um deles pulou o muro deste colégio e ameaçou um aluno”, afirmou. 

    “Tem um rapaz que é usuário de drogas e fica lá no Valadares. Um dia ele pulou o muro do Cupertino e entrou na sala do primeiro ano. Está um perigo, a situação está insustentável. Estamos com medo de a qualquer momento eles invadirem a escola e nos tornar reféns desse processo. Tá difícil pra nós professores”, informou outra educadora que também é ex-estudante da escola degradada e ensina nas escolas vizinhas. 

    A revolta popular

    As queixas são crescentes na comunidade que assiste com o sentimento de revolta a decadência do prédio escolar que abriga um legado grande da história da educação daquele distrito. “É uma tristeza ver a degradação do patrimônio público”, afirmou um morador, autor das fotos que ilustra essa reportagem, que também terá sua identidade preservada. 

    Muitos professores também entraram em contato com o Folha do Estado para denunciar o descontentamento com o fechamento da unidade de ensino, que já chegou a abrigar salas de aula com 35 a 40 alunos em turnos diferentes. “Estudei no Carlos Valadares, o antigo primário, que tinha o nome de Escola Dr. Sabino Silva, e fico indignada com o descaso do Governo do Estado”, relatou uma professora que estudou lá na década de 50. 

    O caso tá tão grave que professores das escolas ladeadas já reclamam dos novos vizinhos que, como se não bastasse a prática das ações citadas acima, ainda “sobem no muro e ficam perturbado os alunos que estão em aula”, afirmou uma professora (identidade foi preservada) que na década de 70 também foi estudante desta escola.

    Sugestões para recomeçar 

    A sugestão dos funcionários, no entanto, é que o posto policial, que hoje funciona em um microespaço anexo ao antigo posto de saúde do distrito, passe a funcionar neste espaço, já que é uma instituição também gerida pelo Estado. Além disso, a comunidade também sugere que se crie ali um espaço para eventos juntamente com uma área de lazer, assim supriria uma grande lacuna na comunidade. 

    “Há uma necessidade que temos de um local para fazer encontros culturais, intercâmbio social, hospedagens de policias em festas de grande porte e de componente das bandas que aguardam até a festa começar e como o Valadares tem uma estrutura muito ampla, poderia ser reformado para atender uma dessas necessidades”. 

    O que diz o Governo

    Diante do caos, a nossa equipe de reportagem indagou a Secretaria de Educação do Estado sobre a situação da escola e que medidas seriam tomadas para evitar que a comunidade continuasse vulnerável à ação dos marginais uma vez que a comunidade, sobretudo estudantil, não suporta mais a situação crítica que enfrenta. 

    Em reposta, a assessoria da Secretaria informou apenas que “está elaborando um projeto de ampliação e levantamento dos serviços para reforma do prédio, para voltar a funcionar como unidade de ensino”, mas não informou quando isto será realizado. As atividades do Valadares foram encerradas em 2015. Os 54 estudantes foram transferidos para rede municipal e a unidade escolar foi extinta em 29 de novembro de 2016.



    Comentários


    03/11/2017 as 22h00m
    Patricia lima escreveu:
    Muito triste essa situação, eu já estudei no Valadares e mim recordo de muitas coisas boas , espero que as autoridades trabalhem ,e não deixe esse prédio acabar.
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