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  • Os subsídios da Reforma e sua contribuição para a educação moderna


    02/10/2017 às 10:18h
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    Os subsídios da Reforma e sua contribuição para a educação moderna
    Martin Lutero criticou o currículo e o modelo aristotélico do ensino europeu e propôs um novo currículo e modelo em uma pedagogia mais humanista e moderna

    Por Luís Cláudio Zayit (*)

    A Reforma Protestante, segundo o professor Alderi Matos, foi um fenômeno variado e complexo do século XVI, que incluiu fatores políticos, sociais e intelectuais, iniciado por Martinho Lutero, quando publicou as suas 95 teses, em 31 de outubro de 1517 na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg.

    Em homenagem ao aniversário da Reforma Protestante, que estará completando 500 anos, precisamos lembrar-nos dos seus principais pilares, o conceito de Sola Scriptura (somente a Escritura) de onde surgiu a liberdade e a universalização do ensino. Mas, o que era a tal "sola scriptura"? Martinho Lutero afirmou que só aceitaria o que pudesse ser provado pelas Escrituras.

    Aceitando somente a Escritura Lutero concluiu que a salvação era somente pela graça (sola gratia), somente pela fé (sola fide) e por Cristo (solus Christus), cujo propósito de culto era somente a glória de Deus (soli Deo gloria), discordando fundamentalmente da tradição católica, como por exemplo, a venda de indulgências. Em outros termos, o conceito de sola scriptura é fundamental para o entendimento da teologia protestante e de sua cosmovisão socioeducacional. 

    Os subsídios da Reforma Protestante para a universalização do ensino é evidente, porquanto essa não era exclusivamente envolvida com a concepção espiritual da sociedade, mas procurava também prover um alicerce sociocultural visível dirigindo as massas e visando cooperar para que a Reforma pudesse ser benéfica não apenas ao ofício religioso, mas também ao educacional. 

    Em uma Europa (século XVII) onde a maioria da população era analfabeta foi imprescindível dá letras ao povo antes de dá a Bíblia na língua do povo. Os reformadores estavam conscientes de que a alfabetização dos leigos e a aperfeiçoada educação filosófica dos clérigos seria um fator imprescindível para uma das cinco solas, bases da Reforma, que era a "Sola Scriptura" de onde surgiu a hermenêutica eclesiástica que foi a livre interpretação da Bíblia pelo povo. Por conseguinte a Reforma Protestante desempenhou amplo pioneirismo ao universalizar o ensino por meio da criação de uma pedagogia própria e de escolas para o povo, onde se incidiu o ensino gratuito.

    Pré-reformadores 

    Porém, estes valores sociais encontram um eco histórico em articulações feitas em tempos passados pelos pré-reformadores. Temos três grandes nomes entre tantos conhecidos e anônimos, e o primeiro deles é sem duvida alguma John Wicliff em 1376, com seu conceito de "corruptos não podem lidera as instituições" evocada pela obra "De Civili Dominio" onde ele elaborou um dos princípios da livre interpretação que é desfazer do discurso de poder demagógico dos ímpios. O pré-reformador e outros que se ligaram a causa (professores de Oxford), em 1382, traduziram a Vulgata Latina (Bíblia na versão Latina) para o inglês e abriram a Bíblia ao povo da Inglaterra pela primeira vez. 

    Outro nome a ser lembrado entre os pré-reformadores é John Huss, considerado por muitos historiadores como o sucessor direto de Wycliff. Huss foi professor da Universidade de Praga. Foi condenado por heresia em 1415 pelo Concílio de Constança. De acordo com uma história que se originou alguns anos após o fato - voltou-se para seus executores pouco antes da sua sentença ser realizada e afirmou: "Hoje vocês queimam um ganso, mas daqui a cem anos um cisne surgirá que vocês serão incapazes de cozer ou assar". O nome Huss significa ganso e cem anos depois surgia Lutero, o "Cisne".

    O terceiro é o William Tyndale (1484-1536), contemporâneo e amigo de Lutero, muitos o colocam como pré-reformador, mas é inegável que ele teve uma grande participação de maneira direta na Reforma Protestante. Seu grande projeto foi traduzir a Bíblia para o inglês direto de fontes hebraicas e gregas. Sua fonte foi o Textus Receptus (Texto Recebido, o manuscrito grego da Reforma). William Tyndale concluiu a tradução do Novo Testamento em 1525. 

    Segundo o professor Lorenzo Luzuriaga, a educação pública teve origem na Reforma Protestante. Seus subsídios sociais foram à educação pública, universal e gratuita, para aqueles que não poderiam pagar e tornaram um legado ao mundo moderno. O que fez Lutero em relação à educação? Criticou o currículo e o modelo aristotélico do ensino europeu e propôs um novo currículo e modelo em uma pedagogia mais humanista e moderna. 

    Lutero entendeu que para reforma a religião cristã era preciso modificar o Estado e que para modificar o Estado era preciso mudar a educação. Os historiadores chamam estas ideias de "pedagogia de Lutero". Com esta sua ideologia Lutero colocou nas mãos dos professores a mudança do pensamento medieval para o pensamento moderno. E o único meio era "educação livre para todos". 

    Segundo Riemer Faber é esquecido que a Reforma estava tão preocupada com a escola quanto com a igreja e o lar. Apreciando o papel da educação na direção da igreja e da sociedade de volta à fonte da fé cristã, os reformadores se comprometeram com a escolaridade dos jovens. Um dos primeiros atos de Martinho Lutero como reformador foi propor que os mosteiros fossem transformados em escolas, enquanto um dos seus últimos era estabelecer uma escola em Eisleben, onde morreu em 1546.

    Não só Lutero, mas também todos os reformadores promoveram ativamente a educação reformada em seus escritos e trabalhos. Por conseguinte, não é exagero afirmar que, como resultado da Reforma, a educação pública foi muito alterada até o final do século XVI.

    (*) Pastor, teólogo, pesquisador sobre os sefarditas e professor de História da Igreja
     



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